Cinéfilo de Plantão – Ano V

Filme: À Procura de Eric

Publicado por: Fabrício Haddad em: 03/11/2009

Estreia em circuito comercial nesta sexta-feria (06/11) em salas do Rio e de São Paulo o filme À Procura de Eric, distribuído pela Califórnia Filmes.

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"À Procura de Eric", da Califórnia Filmes.

O drama, produzido e protagonizado por Eric Cantona (um dos mais famosos jogadores de futebol que já atuaram pelo Manchester United, da Inglaterra), conta a história do personagem Eric Bishop (Steve Evets), um carteiro que sofre de síndrome do pânico e que está desperdiçando sua vida. A família caótica, os enteados travessos e o misturador de cimento no jardim na casa da frente não ajudam, mas é o segredo de Eric que o motiva a mudar: ele começa a receber treinamento do ex-jogador e ídolo, Eric Cantona.

O filme, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes, esteve até o domingo passado em exibição na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e recebeu diversas críticas positivas. Além do ex-jogador, estrelam o longa Steve Evets, Stephanie Bishop, Gerard Kearns e John Henshaw.

Veja o trailer:

Parece ser uma boa dica para quem gosta de dramas, assim como eu. Assim que estrear por aqui, darei uma conferida! E, se você for ver, não esqueça de depois passar por aqui e dizer o que achou!

A ideia para Sindicato de Ladrões começou com uma série de artigos escritos para o jornal The New York Sun por Malcolm Johnson. Os 24 artigos deram ao repórter o prêmio Pulitzer e, reforçado pelo assassinato em abril de 1948 de um chefão das docas de Nova York, despertou a América para os crimes, fraudes e extorsões no porto da cidade. O dramaturgo Budd Schulberg viu no assunto material para o projeto de um novo filme.

Schulberg:

“Eu apliquei um método nada ortodoxo para escrever o roteiro, destinando não apenas um mês ou dois, mas anos de minha vida, absorvendo tudo o que eu podia sobre o pórto de Nova York, tornando-me um frequentador habitual do West Side de Manhattan e bares de Jersey, entrevistando estivadores líderes do sindicato e percebendo o destemido e dedicado trabalho dos padres da igreja de São Xavier, em Hell’s Kitchen.”

Um dos padres que fascinou Schulberg foi o John Corridan, um “grandalhão, rude, falante, fumante inveterado, esperto, algumas vezes profano” padre católico.ele seria o modelo para padre Barry, o personagem de Karl Malden no filme.

Em 1951, o diretor Elia Kazan, após sugerir a Schulberg que o ideal seria trabalharem juntos, concordou em fazer um filme sobre os acontecimentos do porto.

Schulberg:

“Eu gastei um ano em pesquisas e escrevendo. Kazan jurou que Darryl Zanuck lhe devia um filme, então enviamos o roteiro para ele e pegamos o trem para o Oeste.

Finalmente nos encontramos com Zanuck e ele começou a falar sobre filmes no formato widescreen em Technicolor®. E eu pensei, caramba, porque nosso roteiro era especificamente em preto e branco. Finalmente Zanuck voltou ao tema e disse que não gostara daquilo. E nós perguntamos porquê. E eu nunca vou esquecer sua resposta: ‘Quem vai se importar com um bando de estivadores suados?’”

Sem perder o interesse, Schulberg e Kazan finalmente se encontraram com Sam Spiegel, o produtor de Uma Aventura na África. Ele concordou em fazer o projeto, que seria distribuído pela Columbia Pictures.

Para o papel principal de Terry Malloy no filme, Spiegel mandou o roteiro para um ator que havia trabalado com Kazan em Um Bonde Chamado Desejo e Viva Zapata!, Marlon Brando.

Schulberg:

“Sam mandou o roteiro para Brando e teve uma recusa como resposta. Mas eu fiz o velho truque de colocar montes de papel entre as páginas. Elas estavam no mesmo lugar, portanto ele não tinha lido.”

Enquanto Spiegel continuava a influenciar Brando, Frank Sinatra concordara em fazer o papel. Antes que assinasse, contudo, Brando mudou de planos e aceitou o papel.

Apesar de os atores coadjuvantes – Lee J. Cobb, Rod Steiger e Karl Malden –  serem veteranos de Hollywood, a atriz veio da Broadway e dos estúdios de tv de Manhattan.

Schulberg:

“Nós achamos Eva Marie Saint num livro e atores e foi seu primeiro filme.”

A produção de 906 mil dólares foi filmada em Habboken, Nova Jersey, em 36 dias de filmagens.Originalmente intitulado “Waterfront”, o nome do projeto foi mudado depois da Columbia descobrir que já havia uma sériede tv com o mesmo título. Sindicato de Ladrões (sob o título “On The Waterfront”) estreou em 29 de julho de 1954, recebendo sensacionais críticas e faturando mais de 9,5 milhões em seu lançamento. Quando foi apresentado ao Oscar® do ano seguinte, Sindicato de Ladrões ganhou oito: Melhor Filme, Melhor Ator (Marlon Brando), Melhor Atriz Coadjuvante (Saint), Melhor Diretor, Melhor História e Roteiro, Melhor Montagem, Melhor Fotografia em Preto e Branco e Melhor Direção de Arte em Preto e Branco. Foram também indicados Malden, Cobb e Steiger (todos para Melhor Ator Coadjuvante) e Leonard Bernstein para Melhor Música.

Perto de cinquenta anos depois, Sindicato de Ladrões continua um dos mais comoventes e importantes filmes da história, um verdadeiro clássico da Columbia.

The New York Times

Trailer de “Invictus”, de Eastwood

Publicado por: Fabrício Haddad em: 28/10/2009

Veja o trailer da mais nova produção do cineasta Clint Eastwood, “Invictus”. Após a queda do Apartheid na África do Sul durante seu primeiro mandato como presidente, Nelson Mandela fez campanha para sediar a Copa do Mundo de Rugby, em 1995.

O longa conta com Morgan Freeman, no papel de Nelson Mandela, e Matt Damon, interpretando Francois Pienaar, o capitão do time nacional de rugby.

Veja algumas fotos (clique nas imagens para ampliá-las):

O filme, produzido pela SpyGlasses e distribuído pela Warner Bros., chega ao Brasil em 29 de janeiro.

Trailer de “Ilha do Medo”, de Scorsese

Publicado por: Fabrício Haddad em: 28/10/2009

Já está rolando na internet alguns trailers de “Ilha do Medo”, novo longa do diretor Martin Scorsese. Veja um deles:

“Ilha do Medo” é um terror psicológico estrelado por Leonardo DiCaprio. Se depender de Scorsese, DiCaprio nunca vai ficar desempregado: é o quarto filme no qual o diretor e o ator trabalham juntos. O enredo do filme gira em torno de uma assassina que foge e desaparece de um hospital psiquiátrico. A ilha de Shutter Island, onde se localiza o hospital, se torna o maior pesadelo dos dos agentes federais que investigam o caso (DiCaprio e Mark Ruffalo).

Veja algumas fotos:

O filme, da Parmount Pictures, tem lançamento previsto para 05 de março no Brasil.

Vem aí: “A Saga Crepúsculo: Lua Nova”

Publicado por: Fabrício Haddad em: 27/10/2009

Novembro vai chegando e os aficcionados pela história da humana Bella e do vampiro Edward não conseguem se conter e estão quase morrendo de ansiedade. Por que? A explicação é que no dia 20 de novembro estreará o segundo filme da adaptação daquela  que se tornou o maior fenômeno infanto-juvenil desde Harry Potter: a adaptação do livro Lua Nova, que no cinema recebeu o título de “A Saga Crepúsculo: Lua Nova”.

Uma das definições para a palavra “saga” é “história longa, bem agitada, com muita movimentação”. E é com isso, ao longo de uma narrativa dividida em quatro episódios (cada um dos livros da “saga”), que a escritora Stephenie Meyer pretende deixar seu nome gravado na recente história do cinema.

Em 2008, a pequena Summit Entertainment comprou os direitos de adaptação para o cinema do livro “Crepúsculo”, que ganhou vários prêmios e esteve na lista de best-sellers do The New York Times,  produzindo um filme com o mesmo título. O sucesso foi enorme. O que muita gente não sabe é que antes de a Summit produzir e distribuir o filme nos EUA, os detentores dos direitos de prodção do livro eram a MTV Films e a Maverick Films, tendo a Paramount Pictures como distribuidora. “Como a MTV Films não conseguiu um roteiro que a satisfizesse, decidiu vender estes direitos à Summit Entertainment, que produziu e distribuiu o filme nos Estados Unidos”, diz o Adorocinema.com. Aposto que se arrependeram… Somente na estreia, a produção arrecadou mais de 70 milhões de dólares nos cinemas nos Estados Unidos e Canadá, com um orçamento de 37 milhões.

Agora, em novembro, estreia a segunda parte da saga: “Lua Nova”. Veja os trailers (clicando aqui). A sinopse é a seguinte: um incidente na festa de aniversário de Isabella “Bella” Swan (Kristen Stewart) faz com que Edward Cullen (Robert Pattinson) vá embora. Arrasada, Bella encontra consolo ao lado de Jacob Black (Taylor Lautner). Aos poucos ela é atraída para o mundo dos lobisomens, ancestrais inimigos dos vampiros, e passa a ter sua lealdade testada. Quando descobre que a vida de Edward está em perigo, Bella corre contra o tempo para ajudá-lo no combate aos Volturi, um dos mais poderosos clãs de vampiros existentes.

Lautner, como Jacob Black.

Algumas curiosidades sobre o longa merecem ser citadas. A primeira é que Lua Nova não é dirigido pela mesma diretora de Crepúsculo. Catherine Hardwicke ficou impossibilitada de tomar a frente da produção por conta de conflitos na agenda. Para seu lugar, foi convocado Chris Weitz, que ficou famoso por dirigir “A Bússola de Ouro”, um fracasso de bilheteria e de críticas. Outra curiosidade bem legal é que, no início das filmagens, o ator Taylor Lautner não estava confirmado no casting, para reprisar o personagem Jacob, por medo por parte dos produtores de que ele não conseguiria entrar “em forma” a tempo. Lautner ganhou 11 quilos de músculos e garantiu seu papel.

Confesso que a história de Crepúsculo não me seduziu. Talvez a combinação dos elementos que justificam o sucesso tanto do livro, quanto do filme estejam em dosagens superiores às aceitáveis, pelo menos no MEU ponto de vista. Pelo que deu para notar assistindo aos trailers, parece que a narrativa de Lua Nova é bem mais intensa. Não sei se isso tem alguma coisa a ver, mas Robert Pattinson declarou ser Lua Nova sua parte favorita da saga. Eu não li o livro.

Cinematograficamente falando, espero que Lua Nova tenha algo a acrescentar à história vampiresca do cinema construída ao longo de vários anos por várias obras de importâncias inenarráveis para a a sétima arte, já que, ao meu ver, a narrativa antecessora da saga deixou muito a desejar e até desconstruiu um pouco a visão que temos sobre “vampiros”. Não que isso seja ruim. Muito pelo contrário. Entretanto, os artifícios utilizados por Meyer para a composição de seus personagens não são muito viáveis. Podem funcionar nos livros, mas no cinema é que fica a dúvida se funcionam ou não…

PS.: Para ver uma enorme galeria de imagens sobre o filme, (clique aqui).

Crítica: Se Beber, Não Case!

Publicado por: Fabrício Haddad em: 21/10/2009

Sinopse: Durante uma despedida de solteiro em Las Vegas, um grupo de amigos, depois uma noite de bebedeira, perde o noivo. Agora eles têm poucas horas para encontrá-lo antes do casamento. (Omelete)

Nunca é tarde pra se ver um filme né? Dois meses depois da estreia, “Se Beber, Não Case!” ainda está em cartaz no cinema daqui da cidade. Eu estava meio que relutando em assisti-lo. A cópia disponível aqui é a dublada. Ia esperar o lançamento em DVD para poder então ver com áudio original. Como estava lá no shopping sem fazer nada mesmo e todos os outros filmes eu já havia visto, comprei um ingresso para assisti-lo.

Nem os realizadores do filme sabem o porquê desta comédia totalmente despretenciosa ter estourado lá nos Estados Unidos. Quando é para ser, acontece. E acontece que o texto do filme é altamente divertido. Costumo dizer que eu sou muito chato quando assisto a dois tipos de filmes, e comédia é um deles. Qual é o intuito de um filme de comédia? Fazer o espectador rir. E se ele me faz rir é porque algo de bom nele há.

E, gente, ri de dar gargalhadas. Teve gente na sala de projeção que quase se desmontou. As diversas situações apresentadas ao longo do filme são altamente absurdas. E foi com nisso que os roteiristas apostaram: escrever o absurdo e tratá-lo como se fosse real. E a dublagem do filme não me afetou muito. Dublar é uma arte à parte. Merece tese de doutorado.

O filme, obviamente, é direcionado para o público masculino. A história gira em torno de quatro amigos que vão para uma despedida de solteiro. As mulheres presentes no filme são odiosas e manipuladoras. A única que presta, é simpática e parece ser do bem, é uma prostituta que se casa com um dos amigos, enquanto todos estavam altos e de ressaca (o nome do filme em inglês é The Hangover que, traduzido ao pé da letra, quer dizer “A Ressaca”). Mas as mulheres podem ir e assistir ao filme também. Haverá outros motivos para darem risada!

Não vi filmes anteriores do diretor Todd Phillips, então nem posso fazer uma análise com seus trabalhos anteriores. Pelo que li, ele tenta se firmar como um diretor da nova comédia americana. Achei a direção meio perdida, meio que se esforçando para contar a história do filme, de maneira a não perder certos tempos das piadas. Mas em “Se Beber, Não Case!” você pode encontrar um pouco de tudo, além de risadas, piadas e situações engraçadas. Existe mistério (onde está o noivo?), cenas de ação e de suspense. Um legítimo filme de Las Vegas, sobre Las Vegas. É o que dizem: “O que acontece e Las Vegas, fica em Las Vegas”.

Se Beber, Não Case! (The Hangover), distribuído por Warner Bros., um filme de Todd Phillips, com roteiro de Jon Lucas e Scott Moore, com Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Heater Graham, Sasha Barrese, Comédia, 100 min., inadequado para menores de 14 anos.

Crítica: Distrito 9

Publicado por: Fabrício Haddad em: 16/10/2009

Sinopse: Há 20 anos uma gigantesca nave espacial pairou sobre Joanesburgo, capital da África do Sul. Como estava defeituosa, milhões de seres alienígenas foram obrigados a descer à Terra. Eles foram confinados no Distrito 9, um local com péssimas condições e onde são constantemente maltratados pelo governo. Pressionado por problemas políticos e financeiros, o governo local deseja transferir os alienígenas para outra área. Para tanto é preciso realizar um despejo geral, o que cria atritos com os extra-terrestres. Durante este processo Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), um funcionário do governo, é contaminado por um fluido alienígena. A partir de então ele se torna um simbionte, já que seu organismo gera algumas partes extra-terrestres. Com o governo desejando usá-lo como arma política, Wikus conta apenas com a ajuda do extra-terrestre Christopher para escapar. (Adoro Cinema)

Tedioso. Adjetivo que ilustra o que senti durante o filme. Não parava de olhar para o relógio para ver se já estava dando a hora do filme acabar. A proposta de misturar uma narrativa de documentário à narrativa de ficção até pareceu uma boa ideia de início. De início… Ao longo do filme ela se perde.

A escolha de Joanesburgo, cidade mais populosa da África do Sul (e NÃO é a capital, como dizem por aí), para ser o cenário do filme não foi à toa. Lembram da aula de história da tia Maricota, lá em épocas remotas, no colégio no qual você detestava ir? Lembra da palavrinha “apartheid”? Então… Essa é a palavra em africânder para “separação”. O que acontece com os extraterrestres que ficam “ilhados” na Terra é uma releitura e um avivamento da cena política vivida pelos sul-africanos durante as décadas compreendidas entre 50 e 90.

Talvez a minha sensação de tédio possa ser explicada por um comentário publicado por Marcelo Hessel, um dos cozinheiros que preparam o nosso Omelete diário, em sua crítica sobre o filme:

“Seria sacanagem detalhar mais o desenrolar da história – mesmo porque já bastam as explicações e os comentários constantes que o roteiro de Terri Tatchell (coescrito pelo diretor Neill Blomkamp) nos impõe. Se a nave se move, logo aparece uma repórter dizendo: ‘A nave se moveu!’. Se o herói está em fuga e não tem para onde ir, o áudio do comentarista entra para repetir: ‘Ele não tinha para onde ir!’.”

O filme tem muitos altos e baixos (mais baixos do que altos). Algumas más finalizações deram ao filme uma estética meio trash desnecessária à trama. A história da mutação é bem vinda, deu mais cara de ’sci-fi’, mas a cena que ele corta um pedaço da mão de “camarão” (é assim que os et’s são chamados pejorativamente) poderia ter sido descartada.

Enfim… Ao meu ver, o filme fez muito barulho, gastou muito (cerca de 30 milhões de dólares) e deixou a desejar. A produção tem a cara de Peter Jackson e, por isso, sua produtora deve ter acertado a participação no longa depois do fiasco de Halo, cujo diretor Neill Blomkamp também ficaria à cargo de dirigir. Blomkamp não mostrou a que veio… Mais sorte da próxima vez.

Distrito 9 (District 9), distribuído por Sony Pictures, NZE/RAS, um filme de Neill Blomkamp, com roteiro de Neill Blomkamp e Terri Tatchell, com Sharlto Copley , Jason Cope , Nathalie Boltt , Sylvaine Strike , Elizabeth Mkandawie, Ficção Científica, 112 min. CLassificação indicativa: 16 anos.

Crítica: Bastardos Inglórios

Publicado por: Fabrício Haddad em: 13/10/2009

Sinopse: Durante a Segunda Guerra, na França ocupada pelo exército alemão, a jovem Shosanna Dreyfus (Mélaine Laurent) testemunha a execução da família pelo coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). Porém, ela consegue escapar e passa a viver sob a identidade de uma proprietária de cinema em Paris, enquanto aguarda o momento certo para se vingar. Ainda na Europa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) organiza um grupo de soldados judeus para lutar contra os nazistas. Conhecido pelo inimigo como Os Bastardos , o grupo de Aldo recebe uma nova integrante, a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), que tem a perigosa missão de chegar até os líderes do Terceiro Reich. (Yahoo! Cinema)

Lendo a sinopse, vendo o pôster ‘manchado’ em vermelho ao fundo e sabendo que o filme é uma obra concebida por Quentin Tarantino, já dá para imaginar mais ou menos alguns artifícios que ele vai usar: muito sangue, violência, diálogos quase indigestos, sarcasmo… É o jeito Tarantino de fazer cinema.

O filme é excelente e deliciosamente vingativo. Bastardos Inglórios é a coroação de Tarantino como gênio. Mesmo se tratando de uma obra totalmente ficcional, depois desse filme, não tem mais sentido ser feito outro filme sobre nazismo/Segunda Guerra. Meus amigos do Salada Cultural (Twitter: @saladacultural) me disseram que o diretor planeja um “Bastardos Inglórios 2″, o que eu acho totalmente descabido. Fiquei extremamente satisfeito com o que eu vi e Bastardos Inglórios deveria ser obra única, sem continuações. Mas como o cinema é uma indústria e os investidores do filme devem ter ficado bem contentes com o retorno financeiro que Bastardos deu… Entretanto, ele não supera Pulp Fiction. Se colocássemos as obras de Tarantino sobre uma régua, os bastardos ficariam milímetros atrás da produção vencedora em Cannes de 1994.

O longa é apresentado em capítulos (outra marca pessoal do diretor), o que torna o filme bem didático. E de onde, pelo amor de Deus, ele tira aquelas músicas? Contundentes e marcantes. Tão boas quanto a trilha da saga de Kill Bill. A inspiração para elas sabemos que tem a ver com o faroeste de Sergio Leone

A trama, muito inteligente e super bem amarrada e definida, aposta muito nos atores. Deve ter sido por isso que o diretor escolheu a dedo cada um com quem trabalharia. Eli Roth, que é parceiro de Tarantino já há algum tempo, interpreta um militar sádico (todos são, diga-se de passagem, mas ele merece um destaque especial) que gosta de esmagar a cabeças dos soldados alemães com um bastão de beisebol! Totalmente perturbado! Muito interessante a vivência dada ao personagem. Mas, outros dois que merecem que as luzes dos holofotes caiam sobre eles, são mesmo Brad Pitt, que interpreta o tenente Aldo Rayne, comandante do grupo dos bastardos, e Christoph Waltz (no papel de Hans Landa, oficial da SS, que “caçava” judeus) . Pitt brilhou com seu personagem caricato, bem americano, do interiorzão mesmo… Destaque para uma cena em que ele tem que falar em italiano com Landa, obviamente disfarçado, num cinema onde aconteceria a première de um filme nazista. Já Waltz merece uma resenha à parte por sua interpretação e merece também ser indicado ao Oscar de melhor coadjuvante. E ganhar, claro.

De uma maneira geral, Bastardos Inglórios segue a sina do diretor: violência e sangue. Mas, para ilustrar de uma maneira bem simples o que é o cinema de Tarantino, veja o que aconteceu comigo na sala de projeção: quando escalpos dos soldados alemães eram retirados, um cara sentado ao meu lado disse que iria embora e que não se conformava em ter pago pra ver aquilo (mas ele acabou ficando). Durante a mesma cena, uma moça, do meu outro lado, rui e disse “Gente, não acredito nisso!”, como se estive extasiada pelo o que estava vendo. Muitos criticaram duramente Tarantino por achar que o cinema é o “quarto de brinquedos” dele e que já está na hora dele tomar um outro rumo. Desculpe-me, mas são tolos os que pensam assim. Ele tem público alvo e cativo, e que cada vez aumenta mais. Que ele continue assim pra sempre por um bom tempo…

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds), distribuído por Universal Pictures, um filme de Quentin Tarantino, roteiro de Quentin Tarantino, com Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido, B.J. Novak, Omar Doom, August Diehl, Denis Menochet, Guerra, 153 min, inadequado para menores de 18 anos.

Crítica: 9 – A Salvação

Publicado por: Fabrício Haddad em: 13/10/2009

Sinopse: Quando o boneco 9 ganha vida, ele encontra-se em um mundo pós-apocalíptico, no qual os humanos foram dizimados. Por acaso, encontra uma pequena comunidade de outros como ele, que estão escondidos das terríveis máquinas que vagam pela Terra, com a intenção de exterminá-los. Apesar de ser o novato do grupo, 9 convence os demais que ficar escondido não os levará a nada. Eles devem tomar a ofensiva se quiserem sobreviver e, antes disso, precisam descobrir por que as máquinas querem destruí-los. (Yahoo! Cinema)

“Produzir”, trocando em miúdos na linguagem cinematográfica e sendo bem claro e objetivo, é “tornar o projeto viável”. Ou seja, arrecadar e pôr o dindin na mesa e distribuí-lo a cada parte responsável por cada parte da produção. Tá certo que o produtor dá pitaco de vez em quando, principalmente se ele é um gênio e sabe muito bem do que ele fala. Foi o mundo saber que o produtor de 9 – A Salvação era Tim Burton que logo todo mundo quis saber do que o longa se tratava.

A animação é bem diferente do que o próprio mercado de animação nos acostumou. A história é bem sombria, à la Tim Burton, os personagens não são bonitinhos e fofinhos e o enredo da história é bem puxado para o dramático, com pitadas de suspense. Foge do parâmetro de que tem que ter humor numa animação que é voltada (pelo menos era essa a intenção no início) para o público infant0-juvenil. Hoje é fato de que esse tipo de animação atinge muito mais aos adultos.

Tecnicamente falando, nem tem do que reclamar. É muito bem feita, com os acabamentos dados a esse tipo de produção sem nenhum tipo de exagero ou falta. A manipulação em 3D dos personagens não deixa a desejar. Muito pelo contrário. Eles nem ficam com aquele aspecto de “boneco de The Sims”.

Muito interessante é também a proposta apresentada para o mundo pós-apocalíptico, descrito na sinopse apresentada no início deste texto, “dominado por máquinas e com seres humanos aniquilados”. Uma pena é que a ponta do iceberg é a mesma do que em quase os outros filmes que tratam do tema (clichê detected!): a ganância humana destruirá (nesse caso, destruiu) o próprio homem. Entretanto, como não há humanos diretamente resolvendo o problema das máquinas (claro, eles não existem mais!), e sim criaturinhas desenvolvidas por um cientista, esse ponto negativo se anula.

Só não entendi o propósito disso tudo, já que não existem mais humanos e não há nenhuma menção no filme em tentar trazê-los de volta, ou algo que caminhe nesse sentido. Quando do final do filme, há uma mistureba entre ciência e atividades ocultas. Tem até fogueira e o que parecem ser os “espíritos” dos bonequinhos que se sacrificaram na luta contra as máquinas. “Eles estão livres agora”, disse a Número 7… Oi? Isso tudo me deu a impressão de estarem preocupados de mais em explicar certas coisas que se esqueceram de outras.

Acho que os quatro anos de desenvolvimento que o filme teve não foram suficientes para o amadurecimento da ideia de tornar a história de um curta metragem em uma de um longa metragem. Parece que 9 – A Salvação prova que transformar uma história concebida originalmente para um curta em uma narrativa de um longa é bem mais complexo do que se parece.

9 – A Salvação (9), distribuído por PlayArte, EUA, um filme de Shane Acker, com roteiro de Shane Acker e Pamela Petler, com as vozes de Elijah Wood, Jennifer Connelly, John C. Reilly, Crispin Glover, Martin Landau, Christopher Plummer, Fred Tatasciore na versão original, Animação, 79 min. Livre.

Obs.: Os bonequinhos de “9 – A Salvação” me lembram um pouco os desse curta metragem aqui.

Vem aí: “Lula, o Filho Do Brasil”

Publicado por: Fabrício Haddad em: 07/10/2009

Tá virando moda… De uns tempos pra cá, todos os “líderes” de esquerda (Lula ainda é esquerdista, não é?! Alguém me atualize, por favor…) sulamericanos estão ganhando uma cinebiografia. E agora é Lula lá…

Com direção de Fábio Barreto, do oscarizável “O Quatrilho”, mas também do péssimo “A Paixão de Jacobina”, “Lula, o Filho do Brasil” narra desde a infância do pequeno Lulinha até sua chegada em São Paulo, sua luta sindicalista e sua posse na presidência do país.

A Downtown e a Europa Filmes (produtora e distribuidora, respectivamente) anunciaram a estreia do filme em toda a América do Sul para o dia 1º de janeiro do ano que vem. Estão no elenco do filme Glória Pires, como a mãe do petista, Cléo Pires (no papel da primeira esposa do presidente), Milhem Cortaz, como o pai de Lula, Juliana Barone, interpretando D. Marisa Letícia e o estreante em longas metragens, Rui Ricardo Dias (Lula).

Veja algumas fotos:

Uma pessoa que já viu o filme em uma sessão-teste e que pediu para não ser identificada ao site Cinema em Cena declarou que o enredo “é melodramático com aquele toque bem peculiar da família Barreto. Fábio não tem nenhuma fluência e estilo cinematográfico deixando o filme sem nenhuma identidade.

Acrescentou ainda que “A preocupação em fazer tudo certinho (cenografia, fotografia, som, iluminação, trilha, etc.) sobrepõe a dramaticidade necessária a este tipo de biografia. O filme tem um bom início, mostrando as dificuldades da família miserável no sertão, mas despenca na metade para o final. Os “climax” da vida de Lula (perda do dedo, morte da 1ª mulher, entrada para o sindicato, o casamento com D. Marisa, etc.) perdem toda a intensidade, pois o diretor não consegue transmitir nenhuma emoção nas cenas. Ele insere as cenas sem nenhuma preocupação em constituir um ritmo espontâneo.

Ele concluiu dizendo que Barreto produziu um longa “insensível e até perigoso“, porque ele acaba transmitindo um “subtexto muito moralista.

É, Lula… Ter 85% de apoio popular não vai garantir que todos vão adorar seu filme. É esperar pra ver.

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