Festival do Rio – Crítica: A Fita Branca


O trânsito do Rio é infernal mesmo. O filme estava marcado para começar às 16:30. Cheguei 15 minutos atrasado. Sorte que, quando abri a porta da sala de projeção e olhei pra tela, o título do filme acabara de aparecer e não perdi nada! Sorte cinéfila…

A Fita Branca

“A Fita Branca”, título em português do filme vencedor do mais tradicional festival de cinema da Europa, o Festival de Cannes, narra a vida de um pequeno vilarejo alemão às vésperas de eclodir a Primeira Guerra Mundial. Os fatos são contados sob a perspectiva do professor da cidadezinha, embora ele mesmo diga que nem sabe se todos aqueles fatos são mesmo reais. Vários acontecimentos estranhos surgem no tal vilarejo, mas ninguém consegue achar o culpado (ou os culpados) dos atos antissociais, o que deixa a população do lugarejo empolvorosa.

Analisando friamente o filme (como faço sempre), não consegui encontrar aquela excepcionalidade toda que tanto ouvi falar desde Cannes, a ponto de a própria escolha dele como filme vencedor da Palma de Ouro ter sido meio conturbada. Entretanto, a fotografia em preto e branco deixou o filme elegante, bem requintado. Como falei no twitter, assim que cheguei em casa, foi muita coragem do diretor Michael Haneke, nos dias de hoje, onde todo mundo não sabe mais o que inventar para atrair gente para as salas de projeção, rodar um filme em preto e branco. É confiar muito em si mesmo!

Dá pra notar que Haneke mantém seu estilo interessante e bem peculiar, presentes também em “Caché” (2005) e em “A Professora de Piano” (2001). Alguns movimentos de câmera (ou a ausência deles) deixam isso bem claro. Porém, alguns equívocos técnicos me deixaram meio estressado. Sem explicação nenhuma o som ficava alto demais ou ele exagerava um pouco no preto, deixando o filme um pouco escuro.

São dois os pontos altos do filme, e os dois tem a ver com o elenco, que, de um modo geral, desempenhou seu papel muito bem. Um é o diálogo entre o pequeno Rudi, um menino de mais ou menos 5 anos, e sua irmã, na cozinha, sobre a morte. O menininho era Sócrates com todos os seus exercícios de maiêutica em pessoa! É inenarrável o alto grau filosófico encontrado naquele diálogo. O outro ponto que merece destaque no filme é também um outro diálogo, extremamente bem trabalhado, entre o médico do vilarejo e a mulher que deu a impressão de ser a babá de seu filho, que acabou se tornando uma espécie de amante dele, depois que sua esposa faleceu. Em determinado momento, ele, usando de uma frieza e desumanidade tamanha, a menospreza e a critica, dizendo que ela é uma velha, feia, flácida e que ele, durante todos esses anos de relacionamento com ela, sempre teve nojo dela. Tá… Não entendi o porquê dele ter feito isso, mas é uma cena bastante pesada e que foi muito bem realizada pelos atores.

Num clima meio light do que seria um ensaio para um terrorismo psicológico, a trama se desenvolve, para alguns até tediosamente, já que são quase duas horas e meia de filme e os fatos se arrastam um pouco e não nos é deixado claro quem comete as barbáries contra alguns moradores do vilarejo, principalmente contra as crianças. O filme joga com a rigidez e o autoritarismo da criação que os pais davam a seus filhos naquela época e a fita branca entra em cena, deixando para alguns de nós algumas reflexões.

A Fita Branca (Das Weisse Band), distribuído por Imovision, ALE/ÁUS/FRA/ITA 2009, um filme de Michael Hanek, com roteiro de Michael Haneke, com Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaußner, Steffi Kühnert e Josef Bierbichler, Drama, 144 min. Classificação indicativa não disponível. Sem previsão de estreia no Brasil.

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1 comentário Adicione o seu

  1. oembasbacado disse:

    Olá!

    Bem legal seu texto!

    Vi “A Fita Branca” na Mostra Internacional de São Paulo, estou fazendo uma cobertura informal no meu blog.

    Abraços,
    Renan

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