Crítica: Mary e Max – Uma Amizade Diferente*

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Sinopse: Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle (voz de Toni Collette), uma menina gordinha e solitária, e Max Horovitz (voz de Philip Seymour Hoffman), um homem de 44 anos, obeso e judeu que sofre de Síndrome de Asperger. Mary e Max é uma viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais.

Nesta animação, os protagonistas da história são pessoas bem diferentes, uma menina de oito anos e um homem de 44. Ela mora na Austrália. Ele mora em Nova York, EUA.  Apesar dessas diferenças, eles têm algo em comum: a solidão. E é isso o que os une, incluindo os altos e baixos por que passam todas as amizades.

Eles se tornam amigos através de cartas. Mary começa a imaginar como é a vida em outro lugar, começa a fazer perguntas como qualquer criança de oito anos de idade. Ela não pode contar com os pais, ausentes. A mãe é alcoólatra e o pai se refugia em seu hobby, taxidermia de pássaros mortos encontrados pela estrada. Então, ela escolhe ao acaso alguém em uma lista telefônica para se relacionar e decide enviar uma carta contando seus problemas e seus questionamentos. A carta é respondia por Max. Ele é um adulto obeso e quarentão que sofre de Síndrome de Asperger, uma doença mental onde o paciente não consegue desenvolver e nem expressar seus sentimentos, não consegue ler os sinais de comunicação não-verbais e vê o mundo de uma maneira muito literal. Quem sofre dessa síndrome precisa construir um mundo próprio, com rotinas e paradigmas, já que “o mundo real” é um tremendo caos.

A narrativa de Adam Elliot (que já ganhou um Oscar e um prêmio no Anima Mundi pelo curta Harvie Krumpet) se desenvolve numa comédia onde o humor é construído em cima de situações bizarras e, apesar disso, ela se encaminha para um final trágico e triste, melancólico. No meio disso tudo, como diz ali na sinopse, o filme dialoga sobre temas intrínsecos à sociedade moderna: religião, diversidade sexual, amor, confiança, disparates sociais e, principalmente, o valor de uma verdadeira amizade. Uma coisa de que eu gostei bastante foi a riqueza dos cenários, mais até do que a caracterização dos personagens de massinha. Quando parte da história se passava com Mary, era mostrado um cenário iluminado, ensolarado. Quando cortava-se para Max, predominava o cinza de uma grande metrópole.

As vozes dos personagens são de Toni Collette, que tem “Pequena Miss Sunshine” como seu filme mais conhecido aqui no  Brasil, e de Philip Seymour Hoffman, ganhador do Oscar e Melhor Ator em 2005 por sua atuação em “Capote”. Eles fazem um trabalho excelente de dublagem e a voz de Philip fica quase irreconhecível.

Como não deveria deixar de ser, a reflexão mais profunda que o filme causa é em relação à amizade. Até que ponto uma amizade construída através de cartas pode chegar? Transportando isso para os dias de hoje (o filme se passa nas décadas de 70 e 80, quando praticamente não existia internet), uma amizade virtual tem o mesmo peso de uma amizade real? O real é virtual? O virtual pode ser real? Eu sou muito suspeito pra responder a isso. Mas me identifiquei bastante com o filme e a situação vivida pelos dois porque sei o tamanho que uma amizade pode ter.

*Exibido no Anima Mundi 2010.

Mary e Max – Uma Amixade Diferente (Mary & Max), distribuído pela PlayArte, AUS 2009, um filme de Adam Elliot, com roteiro de Adam Elliot, com Toni Collette e Philip Seymour Hoffman, Animação/Comédia/Drama, 92 min., inadequado para menores de 12 anos.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Claudia disse:

    Awwwww, eu queria tanto ver esse filme!
    Mas, nem vi isso m cartaz por aqui!
    :'(

    1. Aurea disse:

      Baixa da net. O filme é perfeito, lindo, lindo, lindo! Entrou pra minha lista de filmes mas que favoritos!!!!

      1. Guilherme Parreira disse:

        Baixar da net é crime, né? Se gostou tanto do filme, porque não alugar ou comprar, assim reconhece quem se esforçou para fazê-lo?

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