Crítica: A Rede Social

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O grande trunfo de A Rede Social é conseguir prender a atenção de quem o assiste logo na primeira cena, muito embora seja uma das cenas mais verborrágicas e chatas dos últimos tempos. Ela é superrápida, de tirar o fôlego, se você perder uma palavra é capaz de se embananar todo para conseguir voltar ao fio da meada. Até uma das partes envolvidas na cena quase não consegue acompanhar a outra. E tudo isso num diálogo. Só uma conversa. Mas é nessa conversa que a figura principal do filme nos é apresentada: Mark Zuckerberg, o gênio criador da maior rede social online do mundo, o Facebook, conversa com sua namorada, e essa conversa se torna muito reveladora, ajudando-nos a entender quem é o Mark Zuckerberg… Pelo menos aquele mostrado no filme.

O longa retrata o “dono” do Facebook como uma pessoa de pensamentos friamente calculados, ultrarrápidos e tomadas de decisões não muito ortodoxas. Segundo o prórprio Zuckerberg chegou a declarar, a tal namorada do início do filme nunca existiu. Mas para o campo ficcional da obra, é elemento chave no processo que desencadeia a criação do próprio Facebook.

Jesse Eisenberg, interpretando  Zuckerberg, acaba por se revelar uma das novas promessas da dramaturgia, mostrando toda a sua flexibilidade e total adaptabilidade a diversos tipos de papéis. Seu maior papel de destaque antes de estar em A Rede Social foi a do caçador de zumbis Columbus, em Zumbilândia, comédia que deu uma renovada superficial no gênero de filmes de zumbis. Vendo-o atuar, sentimo-nos de fato cara a cara com o próprio Zuckerberg. É justa sua indicação ao Oscar de Melhor Ator pela Academia. Entretanto, não posso arriscar em apostar nele, já que não vi os trabalhos dos outros atores que competem na categoria junto com ele.

A Rede Social é um filme despretensioso, praticamente sem efeitos visuais, simples de ser feito, com uma história praticamente linear, baseada em sua grande maioria em flashbacks. Então, o que causou esse mar de críticas positivas e enxurradas de prêmios? Eu respondo… O excelente roteiro, aliado à direção de David Fincher, que conseguiu imprimir um ritmo cadenciado à história, mostrando toda a complexidade da existência da genialidade humana.

Ontem, a página no Facebook do próprio Mark Zuckerberg sofreu ataques de hackers. A mensagem dos hackers foi curtida por mais de 1,8 mil pessoas e outras 500 publicaram comentários acerca da mensagem mandada pelos invasores. Ao redor do planeta, o Facebook possui 500 milhões de usuários. 500 milhões de pessoas sob a a influência de Zuckerberg. Isso é ou não é ser um magnata do mundo do futuro? Digo “do futuro” porque o filme, embora ficcional, com pitadas da mais pura realidade, nos mostra que nem o próprio criador “do monstro” sabe, ainda, da total capacidade do que ele tem nas mãos e nos mostra que Mark Zuckerberg, o real, não é totalmente compreendido. Talvez porque ele esteja muito à frente de seu tempo.

A Rede Social (The Social Network), distribuído por Sony Pictures/Columbia TriStar, EUA, 2010, um filme de David Fincher, com roteiro de Aaron Sorkin baseado no livro de Ben Mezrich, com Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Rooney Mara, Max Minghella, Rashida Jones, Drama/Biografia, 120 min., inadequado para menores de 14 anos.

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