
Bem… Fui assistir ao filme que ganhou a “eleição” via twitter. E vocês, seus twitteiros, estão de parabéns pela esolha! Tinha tudo para dar errado: carro não pegou, saí atrasado de casa, fila no cinema… Mas, apesar disso tudo, cheguei a tempo lá! rs
Intrigas de Estado é baseado em uma série de televisão britânica de mesmo nome e que obteve relativo sucesso. Foi ao ar pela BBC de Londres. Através das minhas pesquisas sobre a série e sobre o filme, algumas ambientações e adaptações precisam ser relevadas. Na série, o cenário principal do filme é a redação do jornal The Harold, enquanto no filme, que é ambientado em Washington DC., o jornal escolhido foi o The Washington Globe. O personagem que corresponde ao de Ben Affleck na série era um jovem membro do parlamento inglês, já o personagem do já quase quarentão é um ativo congressista.
O ponto de partida da trama é o assassinato de Sonia Baker, assistente de Stephen Collins (Affleck), que investigava para ele o processo de “privatização” das forças armadas dos Estados Unidos. Collins tem um amigo de faculdade, o repórter do The Globe, Cal McAffrey (Russel Crowe) e é ele quem conduz toda a narrativa do filme. Ele é o tipo de repórter que qualquer redação do mundo gostaria de ter: conhece as pessoas certas, faro investigativo apurado, é corajoso e defende e acredita na matéria. Ao lado dele está a inexperiente (e blogueira, diga-se de passagem) repórter Della Frye (Rachel McAdams), responsável pela parte online do jornal que fica conectada aos acontecimentos no Capitólio. É com ela que ele conta para tentar desvendar toda essa trama intrigante.
O roteiro do filme é sólido e bem amarrado. É muito comum nesse tipo de filme algumas brechas ficarem sangrando e algumas perguntas sem respostas no ar. No entanto, Matthew Michael Carnahan, que assina o roteiro, foi bem precavido e nos deu uma história bem centrada. E adoro histórias que têm guinadas de direção, que aparecem quando você menos espera.
Ah! Não posso esquecer de falar da oscarizada Helen Mirren. Ela é, no filme, a editora-chefe do The Globe. É uma mulher durona, sem papas na língua e que comanda o maior jornal da cidade. Ela é a grande responsável por, em boa porte do filme, nos deixar aflitos. Todo mundo sabe que os jornalistas têm prazos para entregar a matéria pronta para, no dia seguinte, já estar circulando. É ela quem “prazeia” e pressiona Cal pela matéria. E ele corre contra o tempo para tentar sair e desvendar toda a conspiração corporativa em que ele se meteu.
Intrigas de Estado conta com atores que conseguem levar o ritmo do filme até o fim, sem deixar a peteca cair. Outras partes técnicas do filme que merecem destaque são a cenografia, o som e o figurino. Principalmente o figurino, onde podemos ver bem marcada a diferença entre Cal (gorduchinho, relaxado, desgrenhado) e seu amigo congressita Stephen (mauricinho, pinta de galã, bem aprumado).
O pano de fundo do filme é o jornalismo atual. E podemos até inferir que o diretor e o roteirista deram seu ponto de vista crítico sobre isso. O que vale mais? Notícias rápidas num blogue ou bem trabalhadas e estampadas no jornal? Qual o papel do blogue e do jornal impresso depois da notícia? Assistam ao filme e tirem suas conclusões.
Intrigas de Estado (State of Play, EUA – 2009), distribuíudo por Universal Pictures, um filme de Kevin Macdonald, com roteiro de Matthew Michael Carnahan, Tony Gilroy, Billy Ray, com Russel Crowe, Ben Afleck, Helen Mirren, Rachel McAdams, Viola Davis e Robin Wright Penn, Suspense/Policial/Drama, 127 min., inadequado para menores de 14 anos. Classificação: ![]()
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